Supervisora de Manutenção da Cigás é destaque em série com depoimentos produzida pela Abegás





Tem uma frase conhecida da Angela Davis que diz: “Quando a mulher se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela” e parafraseando, vejo que quando uma mulher se movimenta, ocupa espaços, ela modifica toda a estrutura social, abrindo novos caminhos e mostrando para outras mulheres que é possível alcançar posições, anteriormente consideradas pela sociedade, como sendo masculinas.


Posso citar o meu exemplo. Estou no mercado de gás há oito anos. Sou engenheira mecânica e economista, com especialização e MBA em Engenharia de Manutenção e Gestão da Produção e Qualidade. Trabalhar numa empresa de gás canalizado, como a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), é uma realização profissional muito importante. E também uma oportunidade de quebrar mais um paradigma que se estabeleceu na sociedade, ao longo dos anos. As profissões em Engenharia são vistas, pela grande maioria das pessoas, como masculinas. Embora eu nunca tenha tido essa visão, não podia, nem posso, ignorar os fatos e percebo o quanto é importante para mim e outras mulheres quebrar barreiras impostas pela sociedade.


Podemos e devemos mostrar que somos tão capazes quanto os homens de estar nessa profissão, bem como de assumir funções de liderança, pois a diferença está na capacitação profissional, na experiência no assunto e na vontade de emprestar todo o conhecimento adquirido ao cargo, e não no tom de voz ou estrutura física.

É inegável que preconceitos ainda existem neste meio, tanto quanto em qualquer outro. Quem nunca chegou num canteiro de obra e não encontrou banheiros distintos? Ou olhou ao redor e se identificou como a única mulher no canteiro de obra?

Não posso dizer que, em toda minha trajetória profissional não me deparei com alguns preconceitos e até mesmo os pré-conceitos que eu mesma faço com relação ao ambiente de trabalho, como qual vestimenta utilizar, de que forma devo falar, me comportar ou me posicionar.


No entanto, acredito que a flexibilidade e adaptação aos diferentes ambientes de trabalho para uma vida em comunidade representa a resiliência profissional, claro que sem mudar a nossa própria essência. Penso que não há melhor resposta ao preconceito do que apresentar nossa qualificação, nosso conhecimento sobre determinado assunto e nossa capacidade de sanar problemas.


De uma maneira geral, o maior desafio é tirar as vendas dos olhos daqueles que vivem na escuridão da falta do conhecimento, do esclarecimento e do desinteresse não só por esse, mas por diversos outros assuntos de relevância na sociedade. Superar esse cenário deve-se tratar de uma ação conjunta: do governo, por meio de leis e políticas de incentivo, valorização e capacitação da mulher; da sociedade de uma forma geral, em reconhecer a mulher como um ser capaz de ocupar diversas posições profissionais, não a limitando ao perfil de pessoa que cuida dos filhos e afazeres domésticos; e das empresas, organizações e instituições, em geral, de fazerem com que as leis sejam de fato cumpridas nos ambientes de trabalho, bem como oferecerem mais oportunidades de trabalho às mulheres, incentivando, também, inclusive em ações, o crescimento e capacitação dentro do ambiente de trabalho.


Na Cigás, importante dizer que o relacionamento entre os colaboradores da companhia é extremamente saudável, baseado no respeito e na comunicação. Sobre a vinda para a Cigás: com o nascimento da minha primeira filha, eu buscava um emprego mais próximo de casa e com mais qualidade de vida, pois agora não era só eu, eu tinha uma bebê linda me esperando em casa e as horas de deslocamento não ajudavam muito na nova fase.


Com isso, comecei a ver umas vagas no mercado, mandei currículo para um anúncio discreto. Logo em seguida, fui convidada a participar de um processo seletivo, uma sala cheia, vários candidatos para uma única vaga. Um processo estruturado, complexo, avaliação psicológica, testes e entrevistas. Foram momentos de apreensão e a cada fase que eu ia passando, me enchia de motivação para continuar.


Um belo dia recebi a ligação que seria eu a escolhida para ser supervisora de Manutenção, cargo que exerço há três anos. Meu processo admissional e de integração foram excelentes. Eu me senti acolhida, respeitada e percebo que tenho voz ativa no desenvolvimento das minhas atividades. Gosto de fazer parte desse quadro, são muitos profissionais técnicos, um investimento alto em projetos e melhoria contínua.


A admiração pela empresa vem de longo tempo. Acompanhava as obras da Cigás na cidade e admirava a força de trabalho e os projetos pela tecnologia, pela agilidade e complexo da execução desses projetos. Algo que me chamava atenção aqui também é o grande peso para o desenvolvimento econômico e sustentável do Estado, pois a empresa é extremamente preocupada com o meio ambiente, segurança e hoje, comercializa o combustível mais limpo existente.


Nesses anos, na empresa, já participei de muitos projetos com equipes multidisciplinares, em que houve um envolvimento muito grande da Gerência de Operação e Manutenção, Gerência de Tecnologia e Gerência de Segurança. Gosto de me envolver em novos desafios que gerem novas experiências e tragam bons resultados e credibilidade para a companhia.


Um exemplo é o projeto chamado Mitigação, em que desenvolvemos soluções inteligentes para a segurança de redes de linhas internas dos clientes Cigás, agregando a visão de tecnologia, contato com as soluções em QR Code que despertaram as ideias que executamos e melhoramos no projeto do Tachão Inteligente. Um fato que me deixa motivada é que os projetos são desenvolvidos em equipe e fomos vencedores em premiações.


Entendo que, quando uma empresa como a Cigás cresce, todos crescemos, todos ganham, a sociedade ganha em soluções e opções de combustíveis com segurança, qualidade e compromisso socioambiental, o governo ganha com a arrecadação fiscal e tributária, e nós, colaboradores, ganhamos com as políticas de gestão internas, com reconhecimento, com benefícios mais atraentes e principalmente, com desenvolvimento humano e organizacional.


Me motiva saber que hoje estamos saindo de aproximadamente 4,3 mil unidades consumidoras e queremos chegar em 21 mil em alguns anos, quero estar aqui, quero acompanhar esse crescimento e contribuir cada vez mais para essa potência que é a Companhia de Gás do Amazonas. Para as mulheres que estão em dúvida se vale a pena entrar no setor de gás canalizado, diria que estudem, trabalhem e se capacitem para ser merecedoras do espaço ao qual almejem.


Sou adepta do famoso slogan da campanha presidencial de Barack Obama “Yes, we can”. Portanto, mantenham o foco nos seus sonhos e objetivos. Você quer, você pode, você consegue e ninguém poderá dizer o contrário. Existirão momentos difíceis, mas estejam preparadas para enfrentá-los. Um dia de derrota, tristeza ou desânimo não define você ou a sua trajetória. Chorem o que tiverem que chorar, descansem e no outro dia virem a página, ergam a cabeça e sigam em frente. Deem um passo de cada vez. Reivindiquem, reclamem, denunciem qualquer ato que atente contra os seus direitos. Saibam aproveitar as oportunidades que surgirem, sejam honestas, fiéis aos seus princípios e não se esqueçam daqueles que contribuíram para o seu crescimento.


Vocês sempre vão precisar de alguém. Então, saibam dialogar, criem amigos, pois contatos são importantes. E por fim, saibam vocês onde querem chegar e o que querem fazer, não aceitem ou permitam que alguém decida isso por vocês. Uma carreira promissora depende do quanto de dedicação nós depositamos nela, deem o primeiro passo, não se apeguem a cargos de gestão, comecem por algum lugar. O conhecimento técnico é necessário e é o fator de sucesso que sustenta qualquer carreira de gestão. Ou seja, comecem de baixo e aproveitem o caminho e as experiências nessa trajetória, pois o que importa são as experiências, momentos e conhecimentos que agregamos nesse percurso, não necessariamente o alvo em si.


Posso dar o meu exemplo. Nasci e fui criada no Rio de Janeiro. Meu pai era militar e trouxe os filhos para Manaus em uma transferência do trabalho. Na época, recebeu uma proposta de comando de unidade. Foi a decisão mais difícil e também a mais importante da minha vida. Aos 14 anos de idade, decidi deixar de morar com minha mãe para morar com meu pai, numa cidade desconhecida por mim. Moro em Manaus, desde 2003 – hoje terra do coração, a cidade que escolhi para viver.


Cheguei à cidade com o sonho de estudar e virar alguém na vida. Filha de pais separados, vivi minha infância e parte da adolescência com minha mãe, uma mulher de pouco estudo que, ainda no ensino médio, casou-se com meu pai. Com a chegada dos filhos, abandonou o estudo e se dedicou à família. Tempos depois, com o fim do relacionamento, ao tentar ingressar no mercado de trabalho, viu as dificuldades de conseguir um bom emprego com pouco estudo. Isso foi peça-chave na minha educação.


A capacitação sempre foi vista pelos meus pais como algo importante e como uma forma digna de mudar de vida. Cresci tendo em mente que seria uma mulher que estudaria, trabalharia e teria minha própria independência.


Essa decisão foi primordial para as conquistas que fui adquirindo ao longo da vida, sempre que surgiam medos e inseguranças no caminho, lembrava-me do sacrifício que estava fazendo e cada passo era uma vitória conquistada. Como dizia minha mãe: “O desenvolvimento profissional é o melhor caminho”. Acredito nisto até hoje.





*Marja Lemos, 32 anos, é engenheira mecânica formada pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e economista pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com especialização e MBA em Engenharia de Manutenção e Gestão da Produção e Qualidade – as duas pelo IPOG.


Matéria produzida pela assessoria de Comunicação da Abegás como parte de uma série especial lançada em homenagem às mulheres que atuam no mercado do gás natural, em alusão ao mês de comemoração ao Dia Internacional da Mulher.